Minha Jornada Inspiradora: Valquiria Lumini
Aos 53 anos, descobri que ainda tenho muitos quilômetros pela frente.
Há 10 anos, comecei a acompanhar meu marido, que treinava triathlon. Foi assim que os primeiros trotes e corridas apareceram na minha rotina. O que começou como uma forma de estar ao lado dele acabou ganhando um significado muito maior. Vieram as primeiras provas de 5 km, depois os 10 km e, aos poucos, as distâncias foram aumentando. Entrei em uma assessoria esportiva porque meus objetivos também ficaram maiores. Foi quando chegaram as famosas planilhas de treino e uma nova relação com o esporte.
Sou mãe, esposa, dona de casa, enfermeira e, conciliar os treinos com todas essas responsabilidades sempre foi um desafio, principalmente por conta das noites de plantão. Treinar depois do plantão ou ir dormir e treinar depois? Nem sempre existe disposição ou tempo. Ainda assim, procuro encaixar da melhor forma possível meus treinos de corrida, força e pedal, sempre respeitando os limites do meu corpo.
Aos 53 anos, aprendi que a idade não precisa ser um limite para os nossos sonhos. Cada treino também é uma forma de cuidar de mim. Preciso estar bem para poder cuidar do outro.
Não consigo contar todas as provas de 5 e 10 km que fiz ao longo desses anos, mas existe uma conta que me deixa muito feliz: foram 30 meias-maratonas e 4 maratonas. No ciclismo, também foram muitos desafios. Participei do L’Étape desde 2020 e vivi experiências na mountain bike, como a Rota da Luz e o Caminho da Fé. Sem dúvida, uma das provas de corrida mais marcantes foi o Desafio do Rio. Fiz 21 km no sábado e, no dia seguinte, encarei os 42 km da maratona. Foram 63 km em dois dias.
Um desafio enorme, tanto física quanto mentalmente.
Mais do que a distância, ficou a sensação de descobrir que eu era capaz de fazer algo que, em algum momento, parecia impossível. Foram treinos longos, cansativos e desafiadores, mas também uma experiência de muita superação.
Aprendi que, quando acreditamos e insistimos, nossos limites podem ser muito maiores do que imaginamos.
Também guardo com muito carinho as experiências no ciclismo, especialmente o L’Étape e o Caminho da Fé.
O Caminho da Fé teve um significado muito especial. Foi um pedal realizado em três dias, levando comigo uma intenção muito particular: fé, esperança e gratidão pela vida e pela saúde de alguém muito importante para mim.
Cada quilômetro e cada subida ganharam um significado diferente.
Foram quase 300 km e 9 mil metros de altimetria acumulada. Mais do que um desafio físico, foi um momento de oração, reflexão e entrega. Terminei o caminho com a sensação de que algumas jornadas não são apenas sobre chegar ao destino, mas sobre tudo aquilo que carregamos no coração. E a gratidão foi indescritível.
O esporte me ensinou disciplina, paciência, persistência e, principalmente, a respeitar meus limites e reconhecer o quanto sou capaz de enfrentar os desafios que escolho para mim.
Também me ensinou que o verdadeiro legado está no caminho: no processo, nas pessoas que conhecemos, nas amizades que construímos e nos momentos em que pensamos em desistir, mas seguimos firmes diante das adversidades.
O esporte me transformou.
Hoje, não corro ou pedalo apenas para chegar mais rápido ou mais longe. Faço isso porque gosto da pessoa que me tornei durante essa jornada.
Por isso, COMECE.
Não espere estar pronta. Não espere ter o melhor condicionamento ou o melhor equipamento.
NÃO SE COMPARE.
Cada pessoa tem sua própria história e seu próprio tempo. Nem todo treino será bom. Nem toda prova será perfeita. Às vezes, a maior vitória é simplesmente não parar. Minha próxima meta é continuar me desafiando, sempre buscando uma linha de chegada, mas também equilíbrio emocional.
E tenho uma meta ainda maior: continuar praticando esporte, com saúde e prazer, pelo maior tempo possível.
LONGEVIDADE.
Afinal, se há 10 anos comecei a correr apenas para acompanhar meu marido, hoje descobri que a jornada também é minha.
E eu ainda tenho muitos quilômetros pela frente.
VALQUIRIA LUMINI PIOVESAN
53 anos
Mais conhecida como Val