Sensibilidade dentária nos esportes de endurance
Você já percebeu aquela sensibilidade no dente que aparece “do nada”?Um incômodo ao ingerir algo gelado após o treino, ou até durante a hidratação?
Para quem pratica esportes de endurance, esse tipo de sinal dificilmente é aleatório.
A sensibilidade dentária, na maioria das vezes, está relacionada à exposição da dentina — uma estrutura interna do dente que responde a estímulos térmicos e químicos. No contexto dos esportes de endurance, alguns fatores aumentam a probabilidade desse quadro.
O consumo frequente de bebidas esportivas e géis energéticos, muitas vezes com pH ácido, expõe o esmalte a desafios repetidos. Ao longo do tempo, isso pode contribuir para desgaste erosivo, especialmente quando associado à frequência de ingestão e ao tempo de exposição.
Além disso, treinos prolongados podem estar associados à redução do fluxo salivar, diminuindo a capacidade de neutralização de ácidos e proteção da superfície dental. Soma-se a isso a possibilidade de hábitos parafuncionais, como o apertamento dentário, relacionados ao estresse físico.
O resultado é um cenário multifatorial que pode favorecer o desgaste do esmalte e a consequente sensibilidade.
Mais do que um simples incômodo, a sensibilidade é um sinal clínico importante. Ela indica que algo já está em curso — e que intervenções precoces podem evitar progressão do desgaste.
Creme dental para dentes sensíveis pode aliviar sintomas, mas não substitui tratamento.
A Odontologia do Esporte atua justamente nesse ponto: identificando precocemente alterações, orientando estratégias de proteção do esmalte e ajustando hábitos que impactam diretamente a saúde bucal do atleta.
Se a sensibilidade começou a aparecer, vale a pena investigar.No esporte, o corpo costuma dar sinais antes de cobrar o preço.
Referências (resumidas)
- Needleman et al. — desgaste erosivo e sensibilidade dentária em atletas de elite
- Lussi & Jaeggi; Lussi & Carvalho — erosão dental associada à exposição ácida
- Burke et al. — carboidratos esportivos e potencial erosivo
- Walsh et al. — exercício prolongado e redução do fluxo salivar
- Meeusen et al. — estresse fisiológico e possíveis hábitos parafuncionais
- Soares et al. — desgaste cumulativo e síndrome do envelhecimento precoce bucal
Bruna Ceolim
CROSP 88302Especialista em Odontologia do Esporte