Minha Jornada Inspiradora: Marco Vidal
24 anos de triathlon, disciplina e paixão pelo esporte
O esporte faz parte da minha vida desde a infância. Aos 49 anos, olhando para a minha trajetória, percebo que ele se tornou muito mais do que uma atividade física: é uma das grandes marcas do meu estilo de vida, uma fonte de equilíbrio e uma maneira de continuar aprendendo, evoluindo e me desafiando.
Sou casado com a Silvia há 18 anos, pai de três filhos e atleta amador apaixonado por esportes de endurance. Ao longo dos anos, aprendi a conciliar família, trabalho e treinos, entendendo que a disciplina e a regularidade são fundamentais para manter o esporte presente na minha rotina.
Desde 2002, quando participei da minha primeira prova de triatlo, já são 24 anos de uma jornada repleta de desafios, conquistas e aprendizados. Hoje, continuo treinando com a mesma vontade de evoluir e com novos objetivos pela frente.
Minha história com o esporte começou na infância
Comecei nas escolinhas de futebol e natação e, depois, veio o tênis. Já na adolescência, segui no formato de diversão com os amigos, praticando BMX e mountain bike. No fundo, nunca larguei nada. Praticava tudo ao mesmo tempo, variando a dedicação a cada modalidade ao longo dos anos.
Terminei o ensino médio aos 17 anos e comecei uma dinâmica de vida muito diferente: trabalhava pela manhã e à tarde, fazia faculdade à noite e também aos sábados pela manhã. Minha vida mudou em todas as dimensões, e eu não tinha um planejamento que me permitisse continuar praticando esportes. Acabei ficando sedentário.
O esporte me fez falta nesse período, mas eu não conseguia estabelecer uma rotina regular de treinos por diversos motivos.
Com a faculdade concluída, comecei a correr no final do dia. Era um trote lento e desengonçado, porque eu não sabia correr! De vez em quando, também fazia mountain bike ao nascer do sol.
Depois de um ou dois anos nessa rotina, resolvi nadar em uma sexta-feira à noite para matar a saudade dos tempos em que me dava bem com a água.
Foi quando um cara que eu não conhecia, uma lenda do triatlo brasileiro, Felipe Dayrell, me disse no vestiário:
“Te vi correndo nas últimas semanas e hoje te vejo aqui na piscina. Vai ter uma prova de triatlo mês que vem, ali no Alphaville. Você topa ir? Você vai gostar, só falta pedalar.”
Eu não tinha bicicleta de estrada. Falar em triatlo parecia uma loucura para mim. Mas comprei a ideia daquele desconhecido, comprei uma bike usada bem barata e fui para a prova!
Isso foi em setembro de 2002. Já se passaram 24 anos e nunca mais larguei o triatlo!
Precisa dizer se gostei? Será que me reencontrei com o esporte?
O desafio de conciliar esporte, trabalho e família
Sem dúvida, o maior desafio da minha jornada esportiva sempre foi conciliar o tempo para me dedicar ao esporte. Ele vai competir com outras dimensões da vida. Cada fase e até cada período do ano exigem mais de você nos aspectos familiar, profissional e individual.
Sempre houve motivos de sobra para dizer que não dava para treinar. Inclusive, passei por três cirurgias de grande porte em um dos joelhos.
Mas nunca tive dúvidas sobre a importância de reservar e proteger o tempo de treino. No meu caso, o melhor horário é pela manhã, bem cedinho, às vezes antes mesmo de o sol nascer.
Pode acontecer de reduzir um pouco o tempo do treino para dormir mais, mas dificilmente deixo de treinar.
Regularidade, independentemente das condições, é o segredo.
Minha rotina de treinos: disciplina para continuar evoluindo
Aqui a coisa complica um pouco: rotina semanal!
Moro com minha família, minha esposa e meus três filhos, em Nova Lima (MG), mas trabalho em São Paulo (SP). Não é simples, mas essa é a dinâmica desde 2001. Já faz parte do jogo.
Vou para São Paulo toda segunda-feira pela manhã e volto na quinta ou sexta-feira à noite. Tenho um flat em SP com todos os equipamentos de que preciso. O mesmo acontece em BH. Portanto, tenho tudo em dobro.
Minha rotina de treino é bem cedo. Às 5h, 5h15 ou 5h30 já estou começando, dependendo do volume do dia.
O Rodrigo Lobo planeja meus treinos desde 2019, equilibrando volume e variação entre natação, ciclismo, corrida e força.
Às 8h30 ou 9h estou no escritório, onde tenho uma rotina executiva puxada e dificilmente consigo garantir a que horas vou sair.
Além desse padrão, a cada quatro ou cinco semanas faço viagens para outras bases da empresa em que trabalho, no Brasil ou no exterior. Nessas ocasiões, a rotina dá uma balançada e acaba ficando mais focada na corrida, que é o esporte mais simples de praticar em qualquer lugar. Quando possível, encaixo natação ou musculação, mas é uma exceção conseguir.
O esporte também é um momento muito meu, de equilíbrio físico e mental. Não treino por obrigação. Treino porque gosto e porque me realiza profundamente.
Quase 150 provas e muitas histórias para contar
Não tenho a conta exata, mas acredito que já tenha participado de perto de 150 provas, entre corridas de 5 km a 42 km, triatlos de diferentes distâncias e travessias aquáticas.
No triathlon, só falta completar a distância Full Ironman: 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida.
Só sei o número exato das maratonas: foram nove!
As provas mais marcantes vão muito além dos resultados
São muitas! Quando a conexão com o esporte é tão profunda como acontece comigo, muitos treinos deixam memórias eternas. Imagine as provas!
E as marcas ficam por motivos diferentes.
Tenho um carinho enorme pelas provas que fiz para acompanhar minha esposa. É um privilégio poder viver isso em casal.
Também tenho recordações inesquecíveis de provas com meus filhos. Tenho o privilégio de ter atletas em formação em casa, e já acompanhei meus filhos em provas de natação, nadando lado a lado com eles. Isso deixa memórias para a vida inteira.
Existem também aquelas provas que fazemos com os amigos, só pela diversão. Bom demais!
Outras ficam marcadas porque batemos um recorde e nos sentimos plenamente realizados com a concretização de um objetivo.
E quem vai dizer que não ficam marcas e aprendizados naquelas provas em que tudo deu errado? Você queria bater seu recorde, mas quebrou, adoeceu, choveu ou a prova foi cancelada no meio!
Em resumo, acredito que todas as provas devem ser curtidas e guardadas com carinho especial. Cada uma tem um objetivo, que não se resume à performance, e todas deixam sua marca. Elas nos desenvolvem muito além do esporte.
Prova não pode ser uma pressão para você. Tem que ser mais um momento agradável na jornada de algo que faz parte naturalmente da sua vida: a prática esportiva.
As maiores lições que o esporte me ensinou
Acho que a maior lição é que aquilo que o esporte nos entrega, e a maneira como entrega, está muito conectado ao que acredito para todos os aspectos da vida: profissional, familiar, amizades e tantos outros.
O esporte proporciona aperfeiçoamento, aprendizado, crescimento, evolução e prazer constantes. Mas tudo isso vem por meio da dedicação de longo prazo, com disciplina e regularidade.
O importante é não parar, nunca. Haverá altos e baixos, mas a linha de chegada será sempre muito gratificante.
Um dos legados do esporte na minha vida é minha satisfação pessoal, minha saúde e meu sentimento de estar pronto para me desafiar sempre que quiser. Acredito que estou construindo uma vida mais saudável e aumentando minhas chances de viver mais e melhor.
Outro legado muito importante é ser uma referência positiva para meus filhos. Como tenho uma esposa que também é atleta, eles crescem em um ambiente saudável, onde a rotina de treinos pela manhã faz parte da vida e procuramos evitar excessos e comportamentos que não admiramos.
Para mim, o esporte não se resume ao que acontece durante uma prova. Ele influencia a maneira como encaramos os desafios, lidamos com as dificuldades e construímos nossos objetivos ao longo do tempo.
Meu conselho para quem está começando no esporte
Encontre uma atividade de que você realmente goste. Não comece pensando em resultados, tempos ou comparações com outras pessoas.
Comece, tenha paciência e seja consistente. Respeite seu ritmo e celebre sua evolução.
O esporte precisa acrescentar qualidade à sua vida, não se transformar em mais uma fonte de cobrança.
E, principalmente, aproveite a jornada diária. Os resultados são consequência.
Próximos desafios
Estou me preparando com um objetivo ambicioso: conquistar uma vaga para o Mundial de Ironman 70.3 de 2027, em Chattanooga, nos Estados Unidos.
O Lobo tem sido meu grande parceiro na construção desse ciclo. Quero fazer uma prova consistente, executar bem tudo o que venho treinando e aproveitar mais uma oportunidade de competir em alto nível.
Depois de tantos anos no esporte, continuo encontrando motivos para treinar, evoluir e buscar novos desafios. Sei que o caminho nem sempre será fácil, mas aprendi que a consistência faz a diferença.
Afinal, o esporte me ensinou que a conquista não está apenas na linha de chegada, mas em tudo o que construímos até chegar lá.
Sobre mim
Sou Marco Vidal, tenho 49 anos, sou casado com a Silvia há 18 anos e pai do Edu, de 15 anos, da Manu, de 12 anos, e do Rafa, de 9 anos.
Sou atleta amador desde a infância e apaixonado por esportes de endurance, que se tornaram uma das grandes marcas do meu estilo de vida.
Determinação, disciplina, ética e respeito ao próximo são algumas das características que orientam minhas escolhas dentro e fora do esporte.