Minha Jornada Inspiradora: Eder Bento Filho
Por que você corre? Essa é a pergunta que, cedo ou tarde, todo corredor precisa encarar. Não para postar, não para contar aos outros, mas para sustentar a própria jornada quando o cansaço aperta. Eder Bento Filho levou anos para encontrar a resposta dele. E ela não começa com a maratona. Começa muito antes, numa batalha silenciosa.
Natural do sul de Minas Gerais, com carreira construída em Campinas (SP), Eder sempre amou esporte. Gostava de competir, de estar em equipe, da sensação de pertencimento. Mas desde a adolescência carregava uma luta constante contra o sobrepeso. Era aquela contradição difícil de explicar: amar se movimentar e, ao mesmo tempo, não se reconhecer no próprio corpo.
Quando a dor vira ponto de partida
Aos 24 anos, a vida o atravessou de vez. Ele perdeu o pai, aos 47, vítima de um infarto. A dor foi devastadora. E, junto dela, veio uma lucidez que não se aprende em livro algum: o tempo não espera. O corpo cobra. O que pode ser feito hoje não deve ser adiado indefinidamente. Nem sempre a gente muda no instante em que entende isso. Mas a semente estava plantada.
Em 2019, ao ser transferido pela KPMG para morar em New York, Eder carregava um medo quase automático: “Vou engordar ainda mais.” A cidade, no entanto, ofereceu o contrário do que ele imaginava. Nova York pulsa movimento. Pessoas correm antes do trabalho, pedalam para atravessar bairros, caminham como parte da rotina. Sem dieta estruturada, sem planilha de treino, apenas vivendo uma rotina mais ativa, ele perdeu 10 quilos em seis meses.
Aquilo acendeu algo maior. Aos 28 anos, pesando 110kg, decidiu que aquela não seria sua versão definitiva. Transformou a mudança de país em mudança de identidade. Começou alternando corrida e caminhada. O primeiro quilômetro contínuo pareceu uma vitória olímpica. Depois vieram 2,5km…5km. Cada pequena conquista ampliava não apenas o fôlego, mas a crença de que ele era capaz.
Com disciplina e constância, eliminou 30kg em menos de um ano. Mas o maior ganho não estava na balança. Estava na mente. A corrida construiu confiança. Trouxe autoestima. Deu a ele algo que talvez nunca tivesse experimentado com tanta clareza: a
certeza de que era possível se reinventar.
Entre 2020 e 2024, correu para manter. Duas ou três vezes por semana. Participou de uma prova de 5km. Mas começou a sentir que faltava algo. Correr por correr já não preenchia. Ele precisava de propósito. Estabeleceu então uma meta concreta: fechar 10km até o fim de 2024 e, em maio de 2025, mês do seu aniversário, completar a primeira meia maratona.
Foi nesse momento que conheceu a Lobo Assessoria. Com orientação estruturada, estratégia e fortalecimento, a transição dos 10km para os 21km deixou de ser um salto no escuro e virou um processo. Ele completou a meia maratona entregando mais do que havia planejado. Mais importante: descobriu que não se tratava apenas de correr distâncias maiores, mas de expandir os próprios limites.
A sorte grande
Pouco tempo depois, surgiu uma oportunidade inesperada: a empresa onde trabalha anunciou cinco inscrições para a Maratona de Nova York, em parceria com o Team for Kids, projeto que apoia crianças por meio do esporte. A seleção seria baseada na história de cada candidato. Eder escreveu a dele com honestidade e foi escolhido!
Vieram o medo e a responsabilidade. Pensar em 42,195km já é intimidador. Pensar em estrear na maratona em uma das Majors mais icônicas do mundo torna tudo ainda mais intenso. O ciclo de preparação foi o período de maior comprometimento da sua vida. Meses de disciplina, renúncia, treinos longos, dúvidas e autoconhecimento. Houve dias em que o corpo questionou. Houve momentos em que a mente tentou negociar. Mas propósito não negocia.
No dia da prova, entre a vibração das ruas e o silêncio interno que só quem corre longas distâncias conhece, ele entendeu que aquela jornada era maior do que qualquer marca no relógio. Na mão, escreveu os motivos que o sustentariam até o fim: “For Kids. For Love. For My Dad.”
Ao cruzar a linha de chegada, a medalha pesava menos do que o significado daquele momento. Nunca foi apenas sobre os 42,195km. Foi sobre honrar a memória do pai. Sobre inspirar crianças. Sobre provar para si mesmo que a história não precisava terminar da forma como começou.
Hoje, Eder não corre apenas para manter o corpo ativo. Corre para manter viva a versão de si mesmo que decidiu não adiar mais a própria transformação. A corrida mudou seu físico, mas, sobretudo, mudou sua mentalidade. Ensinou que disciplina constrói confiança. Que propósito vence medo. E que o verdadeiro desafio não é completar uma maratona é escolher, todos os dias, evoluir um pouco mais.
A jornada continua. E agora ele sabe exatamente por quê.